7 de jun de 2010

Ontem - Domingo 06/06


"Domingo, são 2:30 da madrugada, 21:30 no Brasil, eu devia estar dormindo, amanhã acordo às 6:00, vamos à Pretória... Mas estou aqui chorando, sentindo uma dor, uma vergonha... Compartilhei com a Érica e a De, que são do meu grupo de oração e decidimos que vamos comprar um sapato e casaco decentes pro Nick. Eu preciso ter atitudes de quem ama o próximo. E a De decidiu que quando for embora vai deixar todos os casacos pra mãe do Nick. E ainda existem aqui mais três moças na mesma situação. Eu não consigo parar de chorar, sinto tanta dor, vergonha... Quantas vezes respondemos tudo bem pra alguém quando tudo não estava bem? Acho que pouquíssimas vezes!

Esta semana vão começar nossos trabalhos nas escolas, nas igrejas, nas ruas...
Desde que cheguei aqui algo mudou dentro de mim, eu já sabia que nunca mais seria a mesma depois dessa viagem... Só não esperava que as mudanças fossem acontecer tão rápido! E a missão está começando! Tenho clamado ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo que por favor, usem a minha vida. Meu coração têm se enchido das entranháveis misericórdias de Deus!
E cada vez mais me convenço, que existem muitos lugares como a África do Sul ou talvez com realidades bem piores que o Senhor vai me levar pra que eu veja, viva e sinta a dor dos outros; e assim cheia das entranháveis misericórdias de Deus eu possa viver o evangelho de maneira prática. Gabi, Be, Rosauria... Vocês iam urrar aqui. É muita dor!!! Mas meu coração enche-se de expectativa a cada dia pelo o que o Senhor vai fazer neste lugar. Os pastores e missionários que vivem aqui são os heróis da fé dos tempos modernos. Já tenho tantas histórias pra compartilhar... De fé, amor e esperança! Glória a Deus pelos heróis da fé espalhados pelos quatro quantos desta Terra. Preciso ir dormir, ou pelo menos tentar...Amo vocês." Carmen


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Paulinha
Com carinho

"Sexta-feira visitamos uma reserva animal, dia light!!! E minha mala chegou!!!!
Hoje, sábado, fomos ao presídio desativado "Constitution Hill", Mandela ficou preso lá. Uma experiência muito forte... Quanta dor e humilhação esse povo sofreu, como o ser humano pode ser cruel! Comprei o livro, queria mesmo um dvd, mas não existe.Depois fomos ao Soweto, ao Museu do Apartaheid. Lá não pudemos fotografar. Mais dor, mais humilhação, mais vergonha. Disse ao nosso segurança, quando ele me perguntou se havia gostado do passeio: hoje foi um tour emocional!
Amigos, mesmo tendo passado por tudo isso, o sorriso deles quando vêem um brasileiro, externa uma paixão e fascínio inconfundíveis. Aqui na África do Sul, muitos sul-africanos estão torcendo para o Brasil ganhar. A cultura deles é muito rica, o artesanato, as obras de arte são coloridas, cheias de vida... Parece contraditório, mas até nisso eles se parecem conosco, sofreram, sofrem, mas não deixaram de ter esperança. Eu me apaixonei pelo Nick. Assim que o vi no acampamento e disse: Hi! E ele me deu o sorriso mais lindo que já vi e respondeu com seu inconfundível inglês africâner... Já era, foi amor a primeira vista. Um sorriso que iluminou meu mundo, o olhar triste e um sorriso iluminado. Esse garotinho de dez anos, negro, lindo, roubou meu coração!!! Quando chego ao acampamento ao final do dia, minha primeira pergunta é: Nick stay here? Fico contando as horas para abraçá-lo e beijá-lo!!! E hoje fiquei com um nó na garganta... O Nick foi ao nosso culto hoje a noite, tava sentado do meu lado, de repente, eu olho pro chão e vejo aqueles pequeninos pés em um sapato rasgado, rasgando... Acabou comigo! Têm feito tanto frio - Quando vi aquele sapato, fiquei com um bolo, um nó na garganta, me segurando pra não chorar... Aí parece que vi tudo com clareza. Me dei conta que estou aqui há quatro dias e que ele e sua mãe usam a mesma roupa todos os dias. Incluindo o sapato rasgado! Os casacos que eles usam são tão fininhos... Alguém me disse que viu a mãe dele colocando várias blusas nele por debaixo do único casaco... Escrevo isso com lágrimas nos olhos, porque desde que cheguei não paro de abraçar esse menino magrinho e franzino todos os dias e sei o quanto suas roupas são insuficientes para este inverno rigoroso. E todas as vezes quando o encontro e pergunto se está tudo bem, ele sempre abre o sorriso que roubou meu coração e responde que sim!!! A mãe dele também sempre têm um belo sorriso pra mim." Carmen


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Paulinha
Com carinho

Joanesburg - Primeiros dias


"Quero compartilhar minhas impressões nesses quatro dias de Joburg.
As diferenças são gritantes... No percurso aeroporto - acampamento, isso é muito visível, são vários condomínios fechados, parecem fortalezas... A sensação é que os africâners se protegem dentro dos condomínios. Internet aqui não é acessível, é artigo de luxo! Amigos, precisamos valorizar nosso país!
Na quinta-feira fomos ao treino da seleção brasileira, meu Deus, vocês não imaginam o que aconteceu... Fomos cercados pelos sul-africanos dentro do estádio por causa do nosso uniforme verde e amarelo, eles simplesmente amam o Brasil e os brasileiros... De repente, as coisas saíram do controle e aqueles homens, mulheres e crianças; estavam desesperados tirando fotos... Enquanto nossa equipe ainda tentava entender o que acontecia, eu, sentada na arquibancada do estádio, chorava e o Espírito Santo gemia... Uma dor. Orava em línguas alheia a tudo. Tivemos que sair do estádio escoltados pela polícia até o ônibus. Estávamos em um bairro negro, Soweto. Nunca vou esquecer aqueles rostos. Nossos seguranças ficaram desesperados. É, pra andar em Joburg é preciso seguranças. Vou enumerar algumas delas: podíamos ter sido linchados, alguém da nossa equipe podia ter sido sequestrado e nunca mais o veríamos; uma de nós mulheres poderia ter sofrido algum tipo de abuso... Em sua maioria eles são pessoas maravilhosas. Entre essas pessoas existem algumas pessoas mal intencionadas como no Brasil e como qualquer lugar no mundo! Quando as pessoas acenam pra nós nas ruas, não podemos retribuir na maioria das vezes, porquê nunca se sabe o que pode desencadear um conflito. Têm a ver com as etnias africanas, com a história do povo africano. Isso tudo é consequência de anos e anos de ódio e conflito racial. Os zulus querem revidar toda humilhação, vergonha e sofrimento que sofreram; na mesma moeda: violentamente!
Desde que chegamos já houve dois ataques de xenofobia. Não podemos tirar fotos da cidade, a menos que não haja ninguém passando... Isso também pode gerar conflitos!"
Carmen

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Paulinha
Com carinho

Sábado – 05 de junho de 2010


"Perdão... Eu gostaria muito de ter escrito todos os dias, mas a bateria acabou dentro do vôo Madri – Joburg e aqui na África do Sul é tudo muito diferente, voltagem, tomadas, acesso à internet... E essas são diferenças tão pequenas diante de todo o contexto. Vou tentar resumir tudo que vivi nesses dias mas tenho certeza que as palavras não conseguirão expressar o misto de sentimentos e emoções.
Na terça chegamos à Madri pela manhã, o aeroporto de Madri é um capítulo à parte. Fomos recebidos pelo Pr. Osvaldo e com um ônibus fizemos um tour pela cidade - que é linda -, a arquitetura espanhola é maravilhosa, a mistura do moderno com prédios antigos; fomos a tantos lugares... O céu espiritual de Madri é fechado, as pessoas tem um padrão de vida muito bom, então imaginem como elas são!!!! O vendedor que nos atendeu não foi nem um pouco simpático. Descobri que os espanhóis são muito preconceituosos, na Espanha eu sou negra! Almoçamos num restaurante de brasileiros – sentimo-nos em casa – e depois fomos para uma Igreja Batista em Três Cantos, os pastores e membros foram maravilhosos conosco. O pastor compartilhou conosco a realidade da igreja na Espanha, irmãos vamos orar para que Deus envie trabalhadores para a seara.

O índice de suicídios é alto, a depressão entre os jovens é comum... Em 2009 houve 3.500 suicídios. Fiquei chocada! Pra cada dia de 2009, nove jovens mortos. Assustador! Esta igreja tem trabalhado junto às mulheres muçulmanas. Os muçulmanos tem crescido muito na Europa. Precisamos trabalhar galera!!!! Conseguimos tomar banho na igreja... Verão, o sol lindo e maravilhoso, quase 22 horas e o sol lá! Nem preciso dizer que eu aproveitaria cada minuto na praia se morasse em Madri... Ai... Essa minha alma surfista!!!! Rs... rs... rs... Tivemos algumas guerrinhas entre Sampa e Joburg (abreviatura de Joanesburg), Pra Rosana e Elaine foram para o hospital em Madri, nosso vôo que sairia 1:30 de Madri, saiu às 3:00. Nem preciso dizer que o aeroporto de Madri virou Brasil! Nossos uniformes verde e amarelo causaram frisson... Louvor, UNO, fotos... Invadimos geral!!!!
O vôo Madri – Joburg foi tranquilo, nada que um Dramin não resolva... Rs... rs... rs... A equipe da Iberia nos divertiu muito. Diferente da aterrisagem em Madri, quando, da janela do avião vi o solo africano lá embaixo... Meu coração disparou, bateu forte, descompassadamente... Nunca te vi, sempre te amei! Chegamos em Joburg as 13:30 (horário local) na quarta-feira, dia 02 de junho. Os negros (mulheres, homens e crianças) sul africanos são lindos e estilosos. Fomos retirar as malas, e surpresa! Minha mala com os figurinos foi extraviada... Barcelona, Sampa, Madri... Quem sabe... O árabe que me atendeu na empresa Bud Air prometeu localizar minha mala e ainda quis saber s'eu era solteira... Entenderam!!! Essas coisas só acontecem comigo... Rs... rs... rs... Mas como tudo que acontece no reino natural é sinal do que acontece no reino do espírito... Meu tão esperado, desejado e sonhado casamento tá chegando! Ô glória!!! Na saída do aeroporto - todos já estavam no ônibus - fui recebida pelo Pr. Carmona, sua esposa Edna e pela linda Kipala (guerreira em africano). No ônibus nos juntamos à equipe que também havia chegado horas antes num vôo direto. Que bom rever amigos!!! Finalmente chegamos ao Acampamento da União Batista!! Fomos recebidos pelo Pr. Diogo e sua linda esposa Estela.
Esse negócio de fuso horário e "jet lag" me deixaram perdidinha... Eu já não sabia se era terça, quarta..." Carmen


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Paulinha
Com carinho

Terça – 01 de junho de 2010 - Vôo Madri - Joburg - 3 da madrugada


"Ontem saí do Rio às 12:30, cheguei em Sampa às 13:30. Em grande estilo, diga-se de passagem... Enquanto caminhava para o desembarque, o chão liso demais... Imaginem o que aconteceu... Escorreguei... Isso mesmo... Que mico né... Rs rs rs... Meu joelho ainda dói um pouquinho!!! Parecia tombo de patinação artística... O estabaco!!!
Depois do mico, fui encontrar a galera do Conexão África. Somos trinta e três pessoas. Reencontrei alguns amigos do CEFLAL- Salvador, fiz novas amizades, dentre elas uma ovelhinha do Pastor PC, a Norma. Achei que seria um pouco tedioso ficar no aeroporto até a hora do embarque pra Madri. Para minha surpresa as horas voaram e nem senti.
Antes do embarque, algo me chamou a atenção no momento das instruções. A partir daquele momento nós não tínhamos mais identidade, não era mais eu... E sim nós."
Carmen
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Paulinha
Com carinho**